quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Sobre o texto [1] Portelli, "What makes Oral History different"

Oi, pessoal, em relação ao texto [1], ele está na pasta sim, dêem uma olhada no conjunto de artigos do livro The Death of Luigi Trastulli and other histories. O TERCEIRO capítulo é exatamente o artigo "What makes Oral History different", ENTRE AS PÁGINAS 45-58 e que vai ser debatido na aula da próxima 4a. feira, 2 de setembro.

um abraço,

Alvito

A aula de 4a. feira, 26 de agosto


Oi, pessoal, conforme combinado, começamos a aula terminando de ler a última definição de História Oral (do historiador argentino Pablo Pozzi) em seguida passamos à exibição do filme Memórias do Cativeiro, de Hebe Mattos, produzido pelo LABHOI e que está disponível para compra no LABHOI (2o. andar do Bloco N) e também no site do LABHOI: www.historia.uff.br/labhoi . O filme permitiu continuarmos o debate sobre as características da memória e da tradição oral. Na próxima aula iremos debater as três modalidades de História Oral. O "dever de casa" consiste na leitura das páginas 6-9 da apostila.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A aula de hoje (6a. feira, 21/8)

Oi, pessoal, na aula de hoje, conforme programado, debatemos algumas definições de História Oral que constam na apostila do curso. Terminamos com a definição [18] de Alessandro Portelli:

“o elemento único e precioso que as fontes orais trazem para o historiador e que nenhuma fonte possui na mesma medida é a subjetividade do entrevistado. Se o enfoque da pesquisa é amplo e suficientemente articulado um panorama da subjetividade de um grupo pode emergir. As fontes orais não nos dizem apenas o que as pessoas fizeram, mas o que elas querem fazer, o que elas acreditavam estar fazendo, e o que elas agora pensam que fizeram.” (PORTELLI, 1998a:67)

Na próxima aula, leremos a última definição, do historiador argentino Pablo Pozzi e passaremos o vídeo "Memórias do Cativeiro", na sala 516 do Bloco O.

Até lá e um abraço,

Alvito

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

"Dever de casa" para 6a. feira

Ler a APOSTILA DO CURSO, que está na Pasta 242 e aqui no blog, da página 2 até a p.5.

Aula 01- 19/8 - Apresentação - Coisa da Antiga e a história de Seu Tião Peixeiro

Oi, pessoal,conforme combinado, vou postar aqui o material da primeira aula. Foi uma aula de apresentação em que cada um explicou o porquê de estar matriculado no curso. Foram distribuídos o programa, o cronograma e a bibliografia do curso que também estão no blog (e na pasta 242). A aula foi aberta com a música de Wilson Moreira e Nei Lopes, a partir da qual refletimos acerca da construção da memória como um diálogo entre passado (objeto de uma seleção) e presente:

Coisa da Antiga
(Wilson Moreira/Nei Lopes)

"Na tina, vovó lavou, vovó lavou
A roupa que mamãe vestiu quando foi batizada
E mamãe quando era menina teve que passar, teve que passar
Muita fumaça e calor no ferro de engomar

Hoje mamãe me falou de vovó só de vovó
Disse que no tempo dela era bem melhor
Mesmo agachada na tina e soprando no ferro de carvão
Tinha-se mais amizade e mais consideração

Disse que naquele tempo a palavra de um mero cidadão
Valia mais que hoje em dia uma nota de milhão
Disse afinal que o que é de verdade

Ninguém mais hoje liga
Isso é coisa da antiga, ai na tina...

Hoje o olhar de mamãe marejou só marejou
Quando se lembrou do velho, o meu bisavô
Disse que ele foi escravo mas não se entregou à escravidão
Sempre vivia fugindo e arrumando confusão

Disse pra mim que essa história do meu bisavô, negro fujão
Devia servir de exemplo a "esses nego pai João"
Disse afinal que o que é de verdade

Ninguém mais hoje liga
Isso é coisa da antiga
Oi na tina..."


Em seguida, dei o exemplo da primeira e desastrosa entrevista que fiz, que só funcionou graças à brilhante capacidade narrativa dos meus entrevistados, sobretudo do Seu Tião Peixeiro:

M.A.: Bom, então, é... prá começar, eu queria que cada um de vocês, um de cada vez, obviamente, falasse um pouquinho da trajetória de vocês antes de chegar em Acari, quer dizer como é que vocês vieram morar aqui em Acari

Tião Peixeiro (Sebastião): A trajetória até chegar...

(M.A.) A trajetória até chegar em Acari. Como é que vocês vieram morar em Acari e depois a trajetória em Acari que levou vocês a fundarem a Associação, como é que você vem a se tornar fundador de uma Associação. Aí a gente já começa a discutir a associação. Porque isso já faz parte até da questão relativa à associação, quer dizer ou seja, como é que alguém vem a se tornar o fundador de uma associação, qual o interesse...

Nestor: Aonde você morava e como é que você veio pra cá

M.A. : Onde nasceu, aquela coisa toda, um pouquinho da história da vida de vocês

Tião Peixeiro: Bem, quando eu vim prá aqui eu morava no Jorge Turco, num quarto alugado, eu trabalhava na empresa de ônibus, que faz a 362, mas eu achando que não dava prá continuar pagando aluguel, eu tinha vontade de ter minha casinha, nem que fosse numa favela, mas minha. Na época eu não tinha condição de comprar um terreno e construir uma casa. Pelo qual eu vim sem conhecer ninguém aqui dentro, nunca tinha vindo aqui dentro, aí vim de bicicleta, procurando, ia comprar um pedacinho lá embaixo, lá dentro do brejo, naquela época cem mil réis, né, foi em setenta e um, aí estiquei prá frente, vim até aqui, chegando aqui uma vizinha me disse: “ó, esse pedaço daí tá desocupado, o moço roçou aí mas não apareceu mais, te aconselho esse pedaço aqui”, que ele também não morava aqui. Mas, a minha situação não tando boa, eu não tinha como fazer a casa. Aí comprei lá no Jorge Turco, um bocado de madeira, umas pernas de três, não tinha dinheiro prá pagar o aluguel, dei um relógio que eu tinha prá pagar o carreto, coloquei aqui a madeira, deixei o vizinho do lado, que aqui tinha um barraquinho de táubua - de madeira, tomando conta prá mim, e a outra vizinha aqui do lado, até que eu pudesse vim e fazer o barraco; aí vim, reuni uns colegas, vim, eu botei as madeiras, joguei as telhas em cima, não tinha madeira prá cercar; comecei a juntar táubua de caixote, que é prá fechar o barraco.
Aí fechei um cômodo com táubua de caixote, não tinha porta prá entrar, vim morar, num barraco de chão, precisava fazer a cozinha, aí fiz a cozinha, não tinha telha, tudo cercado de táubua de caixote, aí eu fui na lixeira, arrumei um encerado, tapei com encerado. Aí fiquei, não tinha conhecimento nenhum. Aí cerquei, daqui até lá na frente, não prá vender, prá dar prás pessoas, de modo que pudesse trazer pessoas conhecidas prá perto de mim, que eu aqui era completamente estranho, aí comecei a dar esses pedaços daqui prá lá, aí comecei a arrumar ambiente com os moradores."


Fonte: Entrevista com Sebastião Carvalho Sobrinho, Jayme de Oliveira e Nestor Roque, em Acari, Rio de Janeiro, 20/3/96

Outros trechos dessa entrevista e a análise da mesma podem ser encontrados em um texto meu apresentado em um simpósio de História Oral: "História Oral e alteridades ou à sombra do Jequitibá". Vou colocar o texto na Pasta na 6a. feira e amanhã no blog.

um abraço a tod@s,

Alvito

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O PROGRAMA DO CURSO

GHT 04257 – HISTÓRIA ORAL - 2009 (II) – Marcos Alvito

www.opandeiro.net (para materiais sobre cursos anteriores de História Oral) e www.embaubacoronel.blogspot.com (para os materiais específicos do curso) e PASTA 242 (APOSTILA do curso e outros textos)

Objetivos:
Proporcionar uma introdução à teoria e às metodologias da História Oral privilegiando o exemplo prático de entrevistas com os jongueiros do Quilombo São José da Serra em Valença, Rio de Janeiro.

Programa:

Unidade I - Conceitos básicos e questões teóricas
- Definições de História Oral
- Modalidades de História Oral
- Especificidades da História Oral
- Breve História da História Oral
- História da História Oral

Unidade II - Jongo
- Algumas características gerais do jongo
- O jongo entre os escravos das fazendas do Vale do Paraíba
- O jongo do Quilombo São José da Serra
- Interpretando os jongos: a densidade histórica dos pontos cantados

Unidade III – História, Memória e identidade
- Identidade e memória
- Problematizando a história de vida
- Possibilidades da história de vida: um exemplo

Unidade IV - Metodologia
- Projetos de História Oral
- A entrevista
- Armazenamento e catalogação
- A interpretação


Unidade V: Prática
- Objetivos da entrevista e roteiro
- Debate
- Interpretação

TRABALHOS:
Um trabalho final individual que constará de uma entrevista, devidamente transcrita e comentada; o comentário (até 8pp.) deverá comparar a entrevista com uma ou mais entrevistas realizadas pelos colegas. A transcrição das entrevistas deverá ser posta em arquivo eletrônico, para facilitar a troca e a leitura.

Avaliação:
A nota final de cada aluno levará em consideração: a presença, a participação nas aulas, a entrevista e o trabalho final.

Leituras obrigatórias: VER CRONOGRAMA

Observação sobre a presença: Além de fazer parte da avaliação, devido às características especiais do curso, será reprovado o aluno que tiver mais do que 7 faltas (sete dias de aula). Será observada a seguinte gradação em termos da presença:

0 faltas: EXCELENTE
1-2 faltas: MUITO BOM
3-4 faltas: BOM
5-6 faltas: REGULAR
7 faltas: RUIM
8 ou + faltas: REPROVADO

EQUIPAMENTOS: Para a gravação das entrevistas, recomendamos o uso de gravadores digitais; os que utilizarem outro tipo de equipamento, deverão digitalizar a fita para garantir a preservação dos depoimentos.

Cronograma de leituras do curso

CRONOGRAMA DE LEITURAS DO CURSO
HISTÓRIA ORAL – Memórias de Jongueiros - 2009-02

01 19/08 APRESENTAÇÃO: DEFINIÇÕES DE HISTÓRIA ORAL; Leitura da apostila do curso

02 21/08 Idem

03
26/08 Exibição de vídeo para demonstrar AS POSSIBILIDADES DA HISTÓRIA ORAL: Memórias do cativeiro

04 28/08
MODALIDADES DE HISTÓRIA ORAL
Leitura da apostila do curso

05
02/09 ESPECIFICIDADES DA HISTÓRIA ORAL: [1] PORTELLI (1998a) “What makes oral history different”

06 04/09 BREVE HISTÓRIA DA HISTÓRIA ORAL; Leitura da apostila do curso e Leitura recomendada: TREBITSCH, “A função epistemológica e ideológica da História Oral no discurso da História contemporânea” In: FERREIRA,1994: 19-41

07 09/09 Exibição de VÍDEO ESPECÍFICO SOBRE JONGO: Jongo, calangos e folias

08 11/09 [2] PACHECO,Gustavo, (2007) “Memória por um fio: as gravações históricas de Stanley J.Stein” In: PACHECO, 2007:15-32

09 16/09 [3] STEIN,Stanley J., (1990) Vassouras, Capítulo VIII (“Religião e festividades na fazenda”) Leituras recomendadas [3B] : Capítulos VI (“Senhor e escravo”) e VII (“Padrões de vida”).

10 18/09 [4] JONGO DO QUILOMBO SÃO JOSÉ, (2002)

11 23/09 [5] SLENES,Robert W. (2007) “’Eu venho de muito longe, eu venho cavando’: jongueiros cumba na senzala centro-africana”

12 25/09 HISTÓRIA, MEMÓRIA E IDENTIDADE: [6] POLLACK,1992: “Memória e identidade social”

13 30/09 HISTÓRIA DE VIDA - PROBLEMATIZANDO: [7] BOURDIEU, 1998: “A ilusão biográfica” In: FERREIRA e AMADO, 1998:183-191.

14 02/10 HISTÓRIA DE VIDA – UM EXEMPLO: [8] PORTELLI, “The best garbage man in town: life and times of Valtèro Peppoloni, worker” In: PORTELLI,1991:117-137.

07 e 09
Out. Ida ao Congresso da AHORA – Associação de História Oral da República Argentina Para apresentar o trabalho “Memória de bicho”

15 14/10 [9] THOMPSON,1992, capítulo 6 Projetos de H.Oral, exemplos

16 21/10 [10] THOMPSON,1992, capítulo 7 Objetivo, roteiro e procedimentos da entrevista;

17 23/10 [11] Leitura de entrevistas realizadas anteriormente com pessoas do Quilombo S.José Objetivo, roteiro e procedimentos da entrevista;

23, 24 e 25/10 Ida ao Quilombo S.José na 6ª. Feira após almoço; sábado à noite e domingo de manhã para entrevistas; Retorno domingo após almoço REALIZAÇÃO DAS ENTREVISTAS

18 30/10 A entrevista; armazenamento e catalogação

19 23/10 Transcrição: dicas e padronização

20 04/11 [12] PORTELLI, “The Death of Luigi Trastulli: Memory and the Event” In: PORTELLI,1991:1-26.

21 06/11 Idem

22 11/11 Dúvidas sobre as transcrições e preparação para entregar ao LABHOI

23 13/11 ENTREGA: TRANSCRIÇÕES.
Relato sobre as condições de realização das entrevistas

24 18/11 Debate acerca das entrevistas realizadas

25 25/11 Debate acerca das entrevistas realizadas

26 27/11 Debate acerca das entrevistas realizadas

27 02/12 Debate acerca das entrevistas realizadas

28 04/12 Entrega dos comentários acerca das entrevistas

29 09/12 Correção e observações – debate dos resultados

30 11/12 AVALIAÇÃO DO CURSO pelos alunos